Dias loucos estes

Faz hoje duas semanas que a esta hora estava a bater mal como o raio. Impressionante como foi há tão pouco tempo mas parte de mim acha que foi há mais. Acho que é esta necessidade de querer esquecer aquele dia tão difícil e tão doloroso. Acho que é o organismo a dizer-me para esquecer aquele dia. 
Claro que nunca vou esquecer, vai estar sempre presente, mas é importante não pensar nele, e não pensar nele tem-me ajudado.

Tem sido dias cansativos; precisava de sair e de ir ao ginásio que tenho tantaaaaaaaaaaaas saudades, já la vão praticamente três semanas. Bem sei que preciso de um dia para mim, mas de momento é totalmente impossível. A minha mãe está dependente de mim, tenho de lhe dar medicação, ajudar no banho, ajudar a vestir, preparar as refeições, sem nunca esquecer a casa, a roupa e os animais que agora me cabem a mim.

Basicamente levanto-me as 8h da manhã e só paro as 22h. É todo um enorme stress. 
Levantar, dar medicação, preparar a fogueira, dar pequeno-almoço na cama, dar mais medicação, colocar outra vez a dormir, tratar dos animais, arrumar a cozinha, preparar almoço, ajudar no banho, ajudar a vestir, meter uma maquina de roupa a lavar, fazer almoço, servir almoço, encher a lareira de lenha, meter a dormir a sesta, voar ate ao trabalho duas horas enquanto ela dorme a sesta, fazer em duas horas o trabalho de um dia, voar para casa, acorda-la, levar lanche à cama, dar medicação, encher a lareira de lenha outra vez, preparar jantar, meter uma maquina de roupa a secar, arrumar a cozinha, fazer jantar, servir jantar, dar medicação, arrumar a cozinha, mete-la a dormir.

Uff que canseira. 
Há dias, enquanto ela dormia a sesta, eu adormeci sentada no sofá. Dormi 15minutos no máximo; posso vos dizer que me souberam a umas três horas tal é o cansaço e a necessidade de descanso.

Agora vou ali, continuar tudo isto e mais alguma coisa.



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Cá se vai indo

Ando cansada física e psicologicamente. Tem sido desgastante. 
Vejo fotos minhas com apenas alguns meses e não me reconheço, sorridente e feliz..... não me reconheço.

Preciso de sair de casa, de apanhar ar. Preciso de ir ao gym, aliviar a tensão. Preciso que tudo isto corra bem e que este mês passe rápido rápido.

Obrigado a todos que tem deixado palavras de força e melhoras para a minha mãe. Tem vindo a recuperar, é uma recuperação lenta mas tudo hade correr bem.

Créditos de imagem | Desabafos e Coisas



A Mia é uma doce, e como sempre, não larga a minha mãe.



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O porquê de tanta dor, de tanto medo

Tudo começou em Novembro com a chegada de um resultado de um exame. Aquilo que não queremos ouvir. Tumor na cabeça. Mais exames, mais consultas e marcação de cirurgia.

Quinta-feira dia 12 foi o dia. A cirurgia começou as 8.30 e desde ai foi uma carga de nervos que nem me quero lembrar. 

Ligamos para o recobro ao meio da manha... "está em cirurgia, ligue por volta das 15.30h"
Ligamos as 15.30..... "ligue mais daqui a uma hora ou duas"
Ligamos as 17h...... "Ligue mais daqui a uma hora"

Além do nervosismo a esta hora já estava a ser invadida por pânico. Já la iam quase 9h de cirurgia e continuávamos sem respostas. A ideia da minha mãe ali a "dormir" horas e horas estava-me a deixar uma lástima. Bastava uma pessoa falar para mim e desmanchava-me a chorar tal era a pilha de nervos. Escusado será de dizer que o meu telemóvel não parou e de hora a hora havia gente a ligar-me; o que não facilitava de todo.

Tomámos a decisão que se passado uma hora continuassem a dar-nos a mesma resposta iriamos diretos para Coimbra. Digo-vos foi a hora mais longa da minha vida. Foi o dia mais longo da minha vida.

As 6 e pouco ligamos "ainda está em cirurgia mas já temos cama pedida no recobro em nome dela, por isso está para terminar. Ligue daqui a uma horita".

Viemos para casa, não jantei; tal como não tinha almoçado. Não era capaz.

As oito horas da noite voltamos a ligar..... "a cirurgia correu dentro do normal e já acordou"

Mal ouvi estas palavras fui invadida por um sentimento que não tem explicação. o "já acordou" é tão mas tãaaoooo bom de se ouvir. Claro ainda o nervosismo pois sabiamos os riscos que haviam. Será que vê? que fala? que sabe quem é? que anda?

Há meia noite voltamos a ligar...... "está bem, um bocadinho confusa mas já respondeu positivamente"

Respirei. Acho que não respirava há horas. A cirurgia ao cérebro demorou cerca de 11h. 
Onze horas sem saber nada. Zero. Apenas os riscos que se corriam. E mesmo depois de terminada não tínhamos informações palpáveis.

Dormimos. Às oito da manhã voltamos a ligar...... "passou bem a noite. Ontem respondeu mal a umas perguntas da idade e onde estava mas hoje ja respondeu certo a tudo."
Chorei de nervos e de alivio.

As visitas seriam só às 3h da tarde. As enfermeiras, umas querida, à dez da manhã deixaram entrar o meu irmão, que mora lá em Coimbra. Do outro lado chegou a informação.... "já fala, reconheceu-me e até me deu recados. Está bem"

Respirei e chorei. Ainda hoje choro quando falo nisto. Teve três dias e meio numa enfermaria de cuidados intensivos em que só recebia 1 visita de cada vez. Basicamente em 4h de hora de visita so conseguia tar com ela uma meia hora no total se tanto. Estava sempre muito cansada e queria dormir. Aquela sala de espera foi onde passei horas e horas; foi a minha casa durante alguns dias.

Depois de uma semana de internamento, veio finalmente para casa. Ainda com uma recuperação muito grande pela frente e com uns bons meses de paciência e calma.

Tenho estado com ela pois precisava de gente 24h por dia. Assim vai continuar no próximo mês. 

Não foi fácil. Aliás, foi muito difícil e muito doloroso. Ainda temos um longo caminho mas penso que o pior já passou. Só quem passa por isto é capaz de entender tamanha dor.

O meu muito obrigado pelas vossas palavras e apoio. Acreditem, valeram muito.

Agora vou ali continuar o meu trabalho dos últimos e próximos dias. Enfermeira.



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Waiting room

Tarde de Domingo, igual as tardes dos ultimos dias.
Obrigado a todos pelas palavras e apoio.


créditos de imagem | Desabafos e Coisas