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[[[ Por Frutinha - Vânia Filipa ]]]

Esta merda de pais em que vivemos

13 de setembro de 2012
Os últimos tempos não tem sido faceis e o pior é que os que se avizinham não parecem nada melhores.
Há cerca de três anos para cá que a minha vida é um reboliço de emoções, ora boas, ora más, e confesso, não sou uma pessoa que lida bem com as emoções. Vou-me abaixo facilmente, quebro-me num abrir e fechar de olhos. Costumo dizer, a brincar, que ser Balança é assim, ora estou bem, ora estou mal.
Basicamente tem sido uma confusão. Eu e o namorado decidimos que estava na hora de pensar no futuro, começamos a busca por um terreno. Encontramos e ficamos felizes. Depois descobrimos que o terreno tinha um monte de problemas legais, fiquei na merda e foi um ano a correr para o advogado, registo e quilos de papeis. Conseguimos finalmente legalizar tudo e avançamos para o projecto de uma casa, ficamos super felizes quando vimos a nossa casinha ali pronta no papel e com uma cartinha a dizer que podíamos começar a construção. Problemas no trabalho, problemas de economia nacional, problemas na banca nacional  fizeram-nos adiar os planos. Na merda mais uma vez. Como se isso não bastasse a minha madrinha tem mais uma valente recaída, internamentos atrás de internamentos. A minha mãe é mandada para Coimbra para fazer exames por precaução, fico ainda mais na merda. É-me diagnosticado um inicio de depressão e começo a ser medicada para isso. O cancro vence e a minha madrinha morre. Caio, literalmente caio. E confesso, já lá vai mais de um mês e ainda não estou de pé. Se já andava frágil e isto acabou comigo. Adorava-a. Consigo "vê-la", ouvir a voz dela, o riso, a ultima vez que tivemos juntas antes do fatídico internamento, a ultima vez que falou para mim.. tudo. Tudo presente aqui. Hoje recebo mais uma noticia que não abona nada os próximos tempos, não bastava a situação nacional cada vez pior e ainda a situação laboral do namorado está um caus; como tantas outras no nosso pais. Tudo isto me dá raiva. Ter de pagar uma coisa que não tenho qualquer culpa. 
Comecei a trabalhar com menos de vinte anos, comecei logo a pagar os impostos que me eram devidos. Nunca fiz trafulhices, nunca fiz um crédito e sempre paguei tudo a pronto. Nunca fiquei a dever um cêntimo a ninguém, nunca roubei, e sempre fiz e cumpri com os meus deveres. 
O que é certo, é que hoje, a caminho dos trinta anos vejo a minha vida de pantanas. Tenho, temos, de pagar pelos erros dos outros, temos de abdicar de sonhos, temos de abdicar de tudo e mais alguma coisa. Perdemos poder de compra, perdemos empregos, perdemos a possibilidade de fazer o primeiro empréstimo da vida, perdemos. 
Sinto-me a deriva, é aquilo que sinto. Com sonhos, com projectos e com vontade de os realizar. Com força para os realizar. Mas há dias em que me sinto à deriva... sem saber muito bem por que caminho ir. Hoje é um desses dias.
8 comentários on "Esta merda de pais em que vivemos"
  1. deixa lá, não és a única, eu podia fazer-te um resumo dos meus últimos tempos e irias dizer que é mentira.

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  2. Tás tramada... bolas.
    Lamento muito pela tua madrinha e desejo que tudo corra pelo melhor. Força!

    :)

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  3. Sentes-te à deriva mas com certeza tens pessoas ao teu lado, que te poderão ajudar a não naufragar, a voltar a bom porto. É certo que neste momento apetece é fugir ou dormir anos e anos mas temos que olhar para as pequenas e boas coisas da vida. ^^ Vá, levanta-te, ainda tens muito para construir e precisas de toda a tua força toda.
    Sorrisos,
    Alexandra

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  4. Desde pequena que pensava que fazer uma casa era o mais natural que havia...enquanto andei a estudar, sempre considerei isso como garantido...hoje sem emprego, já nem sonho é, mas apenas uma ilusão...

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  5. ....
    Como a percebo Frutinha!!!!
    :(

    Resta-me (nos) acreditar que algo bom esta para chegar....

    Força!
    Abraço,
    Lu

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  6. awww isso custa tanto, e sim tens toda a razao! sinto o mesmo que tu, comecei a trabalhar no verao aos 16 anos e enquanto ainda estudava aos 21, sempre paguei tudo a horas e como era certo, para que sejamos roubadas pelos nossos dirigentes.
    sao os nossos sonhos que ficam por terra, sao os nossos projectos, depois queixam-se que portugal e um pais envelhecido, ha condicoes para termos filhos agora? nao ha, nenhumas!
    muita coragem e nunca desistas das coisas que queres, mesmo q seja quase impossivel e seja uma longa luta. ao menos ainda nao nos podem tirar os sonhos

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  7. Infelizmente isto não está fácil e estou a ver que por aí está especialmente complicado... muita força!

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